Entenda a função no nitrogênio na cerveja




Nitrogênio deixa chope mais cremoso e com espuma mais densa.


Usado para servir a bebida, nitrogênio aumenta cremosidade e colarinho das cervejas. O uso de nitrogênio nas cervejas, especialmente no chope, não é novidade. As clássicas Stouts irlandesas, por exemplo, já são conhecidas há muitos anos por se beneficiarem do gás na hora de tirar a bebida na pressão, e alguns chopes escuros brasileiros como o Brahma Black também são servidos dessa forma. No entanto, virou tendência em cervejarias nos Estados Unidos recentemente usá-lo desde a produção e em vários estilos. E as “nitro”, como são chamadas lá, começam a aparecer no mercado brasileiro.

Cerveja já possui gás carbônico (CO2) que é o responsável pela carbonatação da bebida, ou seja, é graças a ele que forma-se o colarinho. Além disso, as chopeiras usam-no para fazer pressão no barril e empurrar o líquido para a torneira. Isso pode ser feito também com uso de nitrogênio, o que garante algumas características diferentes. “A bolinha dele é menor, então deixa a cerveja mais cremosa, muda a textura”, explica a sommelière de cervejas Carolina Oda.

Gás pode ser usado na hora de tirar o chope.

Esse aumento de cremosidade e a redução da sensação de refrescância da cerveja são alguns dos mais claros efeitos. Outro é o visual, que muda quando a cerveja é servida. Por se dissipar rapidamente, as bolhas menores do nitrogênio formam um belo efeito de cascata de baixo para cima no copo.

O uso do nitrogênio se popularizou graças a cervejarias irlandesas como a Guinness, que o usa até em latas que vêm com uma esfera interna que libera o gás quando ela é aberta. Nesses casos, é necessário servir imediatamente a bebida num copo. “Tem que servir de uma vez pra ter o efeito cascata”, comenta Carolina. Recentemente, cervejarias norte-americanas como a Founders resolveram inserir o nitrogênio desde o tanque de produção e passaram a comercializar seus rótulos nitro, com o objetivo de tornar as cervejas mais cremosas.

Mais creme, menos amargor

Mas é na hora de tirar o chope que ele faz mais diferença mesmo. É esse o motivo para muita gente estar usando três quartos de nitrogênio e um quarto de CO2 nas copeiras. Assim aumenta a cremosidade, a espuma fica mais densa e duradoura e o corpo mais leve.

Numa cerveja maltada da escola inglesa, isso faz uma boa diferença, já que a carbonatação é menos perceptível nelas. Já nas lupuladas, há controvérsias. “O nitrogênio reduz um pouco a sensação de amargor. Tem uma polêmica porque o lúpulo perde um pouco dos aromas que são mais voláteis”, diz Carolina.

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