Cevada: da lavoura para o copo




Grão de cevada precisa ser de alta qualidade para ser usado na cerveja

Grão brasileiro representa 40% do malte das cervejarias nacionais (dado de 2016) e é alternativa de cultura de inverno para agricultores. 

Quase toda cevada plantada no Brasil tem como destino os copos dos cervejeiros brasileiros. Mas nem toda cerveja brasileira é feita com malte nacional, isso porque o país está longe de ser autossuficiente na produção desse que é um dos ingredientes mais importantes da gelada. Na verdade, as plantações do grão, uma cultura de inverno, dão conta de apenas cerca de 40% da necessidade da indústria (dado de 2016). O restante é importado, principalmente de países sul-americanos.

O caminho que a cevada faz da plantação até o copo passa em sua maior parte pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que desenvolveu 91% dos cultivares plantados hoje por aqui. Na década de 1970, a empresa passou a trabalhar no melhoramento da cultura no país para que os grãos tivessem a qualidade exigida para o uso na cerveja. Após ser colhida, a cevada vai para a maltaria onde é germinada de forma controlada e secada ou torrada, o que transforma o grão em malte cervejeiro. O malte é a base da cerveja e dará cor, corpo e sabor para a bebida.

As cervejarias precisam que o malte tenha boa quantidade de amido e enzimas, por isso, não é qualquer cevada que pode ser transformada em malte cervejeiro. O cereal deve obedecer padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O pesquisador da Embrapa, Euclydes Minella, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da cevada brasileira, explica que ela precisa chegar à maltaria com alta capacidade de germinação, para render um bom malte. “O poder de germinação da semente é algo muito importante. A cevada cervejeira precisa de uma semente viva”, explica.

Período de produção

A cevada é uma gramínea de inverno e é plantada como alternativa de cultura nas lavouras durante esse período do ano. Uma das vantagens para os agricultores é a certeza de venda, já que a lavoura tem garantia de compra pela indústria cervejeira.

Cevada nacional é resultado de estudos da Embrapa em parceria com empresas do setor cervejeiro.

Atualmente, apenas 40% do malte usado no Brasil vêm da cevada nacional. Minella afirma que é possível aumentar a área cultivada, mas há dois impeditivos. Um é o clima, pois além da necessidade de regiões mais frias, um dos grandes vilões para a cultura é o excesso de água da chuva. O outro é o preço. “A cevada argentina, por força dos tratados do Mercosul, em geral chega aqui mais barata”, comenta.

Há também outras questões, como a pouca quantidade de maltarias para transformar o grão. “Há muitos anos há tentativas de produção no Serrado, em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal”, conta. No entanto, o custo segura o desenvolvimento, já que transportar a cevada dessas regiões para as maltarias sai muito caro. Mas, com o aumento da demanda por malte nacional de qualidade e com variedades distintas, Minella acredita que isso possa mudar.

Saiba mais:

Regiões
As regiões produtoras de cevada no Brasil são Sul e Sudeste (São Paulo). Os três estados do Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por ordem de importância) são responsáveis por 95% das plantações.

Cultivo
O período de cultivo da cevada no sul do país ocorre entre junho e novembro, com colheita nos dois últimos meses. Em São Paulo, ocorre entre maio e setembro, com colheita no último mês.

Área
Em média são plantados 100 mil hectares por ano no país, com expectativa de 300 mil toneladas de colheita (3 toneladas por hectare).

Destino
95% da cevada plantada no Brasil é cervejeira, sendo que 91% são variedades da Embrapa. Os outros 5% plantados são para uso em ração animal ou na indústria alimentícia.

Produção
A produção nacional de cevada é suficiente apenas para 40% da produção de malte usado nas cervejarias brasileiras.

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