Sentidos atentos, é hora de beber



Visão e olfato antecipam o que sentiremos com o paladar, ao tomarmos a cerveja.

Entenda por que é importante estar com nossa percepção alerta e de onde vem nossa sensação de prazer ao tomarmos cerveja.

Se você toma cerveja na pressa, pode estar perdendo o melhor que a bebida tem a oferecer. Como? Deixando de aproveitar o que cada um dos cinco sentidos traz à nossa percepção quando tomamos aquela gelada. Já parou para pensar o que você estava sentindo quando tomou cerveja pela última vez? Se você não é sommelier, pode ser que nunca tenha reparado nisso. E se você é, sabe do que estamos falando.

Mesmo que você não seja um especialista em cervejas, dá sim para apreciar a bebida com mais intensidade. “Nós usamos, de fato, os cinco sentidos, e isso é tão importante que uma das teorias do brinde é exatamente essa: você poder usar a audição, além dos quatro outros que já são utilizados”, conta o sommelier Renato Rossi.

A rota dos sentidos

O caminho dos sentidos começa na audição, com o barulho ao abrir a garrafa e o som da bebida sendo servida no copo. “Isso depende do estilo de cerveja. Algumas têm estrutura que faz mais barulho, outras você vai servir muito de perto e o barulho é menor”, explica Rossi. Com a bebida já no copo, ativamos a nossa visão: identificamos a cor, a turbidez (se a cerveja é cristalina ou turva), a formação e a manutenção da espuma.

Depois, o olfato entra em ação. Distinguimos aromas adocicados, herbais, florais, condimentados, frutados e cítricos, além de componentes como o álcool, fumaça e madeira e características de torra do malte. Claro que para isso precisa treino. E é só aí, depois de passar por audição, visão e olfato, que o paladar aparece. Identificamos os gostos doce, ácido, amargo e salgado. Nesse momento entram nossas preferências pessoais.

“Se eu perguntar: qual é o gosto mais básico que temos na vida? Sal. E, mesmo assim, se você for em um restaurante, tem gente que vai colocar mais sal no prato, tem gente que vai pedir sem sal. Se o sal, que é um dos ingredientes mais básicos, não é unanimidade, o que dizem dos outros, o que dizer da cerveja”, reflete o sommelier.

Além do paladar, Rossi explica ainda que existe uma espécie de “sexto sentido”, a somatória entre o olfato e o paladar: o retrogosto e o retro-olfato. “Eles aparecem quando você já engoliu, mas você tem uma persistência do cheiro, um gosto que se mantém”, explica. Por fim, o tato se refere à textura da cerveja na boca. Se ela é frisante ou macia, licorosa ou seca, se nos causa aquecimento ou refrescância.

Percepção do prazer

Os sentidos estão relacionados também com a nossa percepção do prazer. O gastrólogo Thiago Brandão explica que, ao visualizarmos uma cerveja, por exemplo uma Pilsen, através da visão já captamos algumas referências importantes: “Ela vai ter um colarinho branco e uma cor dourada. Dourado é uma cor atrativa porque remete à riqueza, ao trigo, ao pão, são associações positivas. O paladar começa a ser ativado pela visão e pelo olfato”, diz.

O gastrólogo afirma também que o ambiente ao nosso redor, isto é, o momento e o contexto em que bebemos a cerveja, também é importante para percepção. Isso, sem dúvida, traz uma sensação de prazer ainda maior. “Seja qualquer alimento ou bebida, a relação em volta é mais importante. Quando você chega do trabalho e quer relaxar, você já entende que aquele ato de pegar uma tábua de frios e uma cerveja é para relaxar”, diz.

E para quem acha que aprimorar os sentidos é trabalho apenas para profissionais, o gastrólogo deixa uma dica: “Devemos sempre comer e beber devagar, sem pressa, apreciando cada gole, em vez de colocar na boca e engolir. Não é beber por beber, é beber degustando. É fazer com atenção”.

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