Por quê que a Bahia tem? Encontre dentro de você, um pedacinho inimigo da cerveja baiana

Foto: gramho.com

Olá minha gente, essa semana estive pensando no quão diferente nós baianos somos, sobre todas as coisas. Escrevemos o dia a dia da Bahia ao nosso jeito, do nosso jeito, para o bem e(ou) para o mal. E essa nossa caraterística, por vezes me deixa bem feliz, por vezes me deixa muito triste. Mas atesta nossa identidade, somos um povo de identidade forte.

Trazendo isso para o mundo da cerveja, estamos vivendo a evolução/revolução do cenário cervejeiro dentro da cultura baiana, por tanto esse fenômeno acontece de maneira submersa as nossas vicissitudes. 

Eu vi de perto quase todas as cervejarias baianas surgirem, cada uma a sua maneira, desde que seus donos eram cervejeiros de panela, ou apenas sonhadores. Isso me deu uma condição pontual: A de presenciar de perto as fraquezas e as fortalezas de cada projeto, de cada cervejaria, de cada empreendedor. Todos eles se tornaram meus amigos em algum grau, afinal de contas, desde o início atuamos juntos e lutamos por um mercado cervejeiro mais maduro.

Mas o que gostaria de refletir com vocês é sobre um dos fatores que frenam o crescimento da cerveja artesanal na Bahia, quero convidar vocês a uma reflexão: Vale a pena deixar antigos hábitos de lado em prol de nosso desenvolvimento? Ou será que tal desenvolvimento deva ser mais vigoroso do que alguns de nossos costumes, suplante-os, e aconteça por si só?

Aqui vai uma leitura, não uma crítica; nós somos um povo muito permissivo e receptivo. Isso é bom e isso é ruim. É bom por que esse é um comportamento que derruba fronteiras, que derruba intolerâncias, que une o mundo na Bahia. Mas é ruim principalmente para alguns segmentos da economia local por exemplo, pois isso exige que um produto baiano tenha que "sapatear, assoviar e chupar cana", para mostrar que é melhor do que um produto de fora. Em outros estados basta ser local, para a comunidade defender e priorizar o consumo daquele produto. Imagine aí a força que uma cervejaria artesanal baiana precisa ter, para reverter um quadro desses?

Se olharmos para a nossa música, podemos fazer um paralelo quanto a esse (nosso) comportamento. O movimento musical Axé Music, nascido na primeira metade dos anos 80, misturou a música de tambor denso, o samba, o frevo, o rock (e o que mais você, que entende mais de música do que eu, quiser citar) e chamamos esse movimento musical de "nossa música". Movimento esse que dominou o Brasil por 10 ou 15 anos.

Eu pergunto o seguinte, essa mistura, vinda da permissividade e receptividade é uma marcação de nossa personalidade, ou o atestado da ausência dela? Estou te convidando à esse debate, não estou com isso criticando o Axé, até por que sou filho de trio elétrico, cresci dentro do carnaval de Salvador.

Mas falando de cerveja, gostaria de saber o que estamos esperando... Que as nossas cervejarias importem dos EUA as guitarras do rock e deixe a guitarra baiana de lado? Queremos mesmo que as cervejas baianas tenham o sabor de fora para só então valoriza-las? Continuaremos a supervalorizar o que não é nosso? Ou será que somos capazes de fomentar nossos produtos, fortalecê-los, vê-los crescer de qualidade, usar as críticas para contribuir e não para depreciar, para então mostrar pro mundo o quê e por quê que a Bahia tem?

Até o próximo gole!

Marcelo Vasconcelos
Editor e criador do Portal da Cerveja
Os artigos de Marcelo são postados mensalmente, na última semana de cada mês.
Comente, concorde ou discorde, mas participe! ;-)



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