Cerveja Märzen Baden Baden produzida com 100% Lúpulo Brasileiro



Olá, meu povo... hoje vim aqui falar sobre a Cerveja Märzen da Cervejaria Baden Baden, aquela feita 100% com lúpulo brasileiro. A propósito, a cerveja foi tema da entrevista que Marcelo Vasconcelos fez com Rodrigo Veraldi lá na Fazenda Frutopia, na Serra da Mantiqueira. Ainda não viu? Então CLIQUE AQUI. Na foto abaixo você pode observar os lúpulos da Mantiqueira como se encontram em outubro (foto cedida por Rodrigo Veraldi).


Estamos falando de uma cerveja alemã, de baixa fermentação (Lager). Märzenbier ou simplesmente Märzen, significa “março” em alemão, ou seja, eram as “cervejas de março”. Antigamente, por volta de 1841, quando ainda não havia refrigeração mecânica, as cervejas eram produzidas na Europa no início da primavera (em março) e estocadas em cavernas frias para serem conservadas e consumidas em setembro e outubro (no outono), na Oktoberfest de Munique. Por isso alguns exemplares são descritos como Oktoberfest Märzen, mas existem diferenças entre esses estilos e prometo em muito breve escrever mais detalhadamente sobre o assunto! Por enquanto, vamos focar na Märzen, ok?!

Quem me conhece bem sabe que eu sou a “looooooka” das cervejas sazonais e de edição limitada. Não me aguento, gente, e compro mesmo! Aí vejo sendo lançada em julho a cerveja com 100% lúpulo brasileiro, edição limitada, da Baden Baden. Não contei dois tempos e fui correndo na WBeer e comprei uma na hora. Aí vem a hora de vocês me questionarem: “Mas, Débora, você acabou de falar que a Märzen é produzida em março e essa foi lançada em julho, como assim???”. Na verdade, a colheita dos lúpulos da Mantiqueira se deu em março, mas por uma questão de marketing da cervejaria foi lançada no mercado em julho. E, sim, eu esperei até o último dia de outubro para experimentar essa cerveja, como manda a tradição.

Entrevistando Rodrigo Veraldi questionei o porquê da escolha de se produzir uma Märzen e não outro estilo. Em resposta, ele comentou que precisava ser um estilo que não necessitasse de muitos lúpulos nem de características de lúpulos muito intensas. Até porque a quantidade de lúpulos que eles tinham era pequena e a produção ficou limitada a oito mil litros. Assim, ficou decidido que fariam um estilo mais leve no amargor, que tivesse menos IBU e, logo, menos lúpulo. Além do que o lúpulo foi usado somente na brassagem, não sendo feito dry-hopping (eles tinham receio de contaminar o mosto, uma vez que o lúpulo estava em forma de flor e não em pellets). Quando se usa o lúpulo em flor, as chances de contaminação no dry-hopping são maiores.

Ainda segundo Rodrigo Veraldi, o lúpulo da Mantiqueira é tido como um lúpulo aromático, que remete às frutas amarelas, tropicais e também ao floral. Quando mais oxidado, ele apresenta características de aromas de especiarias.


Analisando a cerveja com Marcelo, ele descreveu a cerveja como: “Aroma predominantemente adocicado, mas encontrei toques herbais e até cítricos, talvez sejam as características do lúpulo da Mantiqueira, mas essas informações perderam força ao longo da degustação, me dando mais trabalho para percebê-las depois. A espuma tem boa formação, notei uma persistência de média para baixa. Achei o sabor maltado, apesar disso senti mais o cítrico do que o dulçor. Tem final seco. As nossas referências são engraçadas, essa experiência sensorial me reportou a fazenda Frutopia. Não que a fazenda tenha o cheiro de cerveja, mas criei essa referência: ‘cheiro de Frutopia’. Rsrs!”

Já na minha análise, a Märzen da Baden Baden apresentou coloração dourado-âmbar, brilhante com espuma excelente, mais que não persiste por muito tempo e apresenta bolhas minúsculas. Aroma delicado, passando por notas de casca de pão, biscoito, cereais, nuances florais e herbáceo de lúpulo, levemente cítrico. No sabor destaca-se o malte com notas de cereais, biscoito, leve tostado e um floral bem discreto. Essencialmente maltada de corpo médio e carbonatação média. Já o amargor aparece com intensidade média, discreto. No aroma e no sabor, o malte se sobressai ao lúpulo. Malte bastante evidente com dulçor característico do malte como tem que ter uma Märzen, mas com final seco. Apresenta um aftertaste suave e limpo, seco, onde não permanece nada. Super limpa o paladar e apresenta um excelente drinkability.

Esse ano eles estão pensando em testar o lúpulo em outros estilos de cervejas e com o lúpulo em forma de pellets, para reduzir o risco de contaminação e para ver se conseguem um maior amargor. Mas a reflexão que quero deixar hoje aqui é: será que um dia vamos conseguir produzir uma boa IPA com 100% lúpulo brasileiro?

Beijos e Boas Cervejas!

Débora Matos
Sommelière de Cervejas; Especialista em Análise Sensorial e Off-Flavours; 
Certificada pelo Instituto da Cerveja Brasil (ICB), Associação Brasileira de Sommelier (ABS) e Association de la Sommellerie Internationale (ASI – França)
Consultora Especialista do Programa 'Dicas da Saidera' na TV Aratu Online

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