A Stout já foi uma Porter? Confira as diferenças entre as duas cervejas escuras




(Alguns exemplos de PORTERS e STOUTS)

Olá, meu povo! Hoje começo com uma série de colunas falando sobre os estilos de cervejas, suas principais características e diferenças entre os estilos mais próximos e, por isso, facilmente confundidos. Vamos começar hoje falando da PORTER X STOUT. Duas cervejas parecidas, mas tão diferentes ao mesmo tempo. E que não têm nada a ver com a famosa e adocicada Malzbier

Quando falamos de cerveja escura a primeira coisa que vem à cabeça é a Malzbier, doce e com baixo teor alcoólico (em torno de 0 a 4%), é um estilo de cerveja fabricada no Brasil que leva caramelo e xarope de açúcar na sua composição para adocicar e escurecer uma cerveja comum. Até hoje se diz que a Malzbier é produzida para reaproveitar a cerveja de início e fim da filtração e cervejas fora dos padrões, afinal de contas é só colocar açúcar no final e você tem uma Malzbier (risos!). De origem alemã, criada por Ferdinand Glaab, nem é mais considerada cerveja e sim uma bebida energética na Alemanha. E até hoje não é listada como estilo de cerveja pelo Beer Judge Certification Program (BJCP) e nem pelo Brewers Association (BA).


Mas vamos ao que realmente interessa? De origem inglesa, a Porter existe desde o ano 1700, sendo considerada a primeira cerveja industrializada da história! Ela se transformou muito ao longo desses mais de trezentos anos e era chamada inicialmente de "Entire", sendo um blend (mistura) de três tipos de cerveja: Old Ale, Pale Ale e Mild Ale. E se parecia mais com a Stout de hoje. Das várias modificações no perfil da Porter ao longo dos anos, surgiu a Stout Porter que depois ficou conhecida simplesmente como Stout, que significa "forte", "robusto", "intenso". Ou seja, a Stout que temos hoje é mais parecida com as primeiras Porters a serem criadas há séculos atrás.

(Exemplos do Estilo Porter)

O cervejeiro Ralph Harwood apelidou a cerveja de Porter, em homenagem aos carregadores do porto (porters, em inglês) e outros trabalhadores manuais que preferiam esse tipo de cerveja. Hoje em dia existem alguns subestilos de cervejas Porters, a exemplo da Brown Porter, Robust Porter, English Porter, Baltic Porter e American Porter.

Feitas com a utilização de maltes torrados, em geral as Porters assumem coloração entre o marrom e o marrom médio, com nuances avermelhadas e chegando até a cor preta. Podem ter variedade de sabores torrados com perfil de malte-caramelo, chocolate, sendo mais suaves que as Stouts. De corpo médio a alto, podem vir acompanhadas de um dulçor residual, porém o amargor chama mais atenção. Elas tendem mais para o frutado/chocolate.

(Exemplos do Estilo Stout)

Já as Stouts, do ponto de vista histórico, eram simplesmente bebidas mais fortes que o normal. Também produzidas com utilização de maltes torrados, geralmente mais encorpadas do que as porters (a depender do subestilo de cada uma a ser comparado), são cervejas de coloração marrom escuro a preta, encorpadas, com sabor torrado pronunciado, lembrando o café e até o chocolate amargo. Notas de tostado e amargor intenso. São bastante secas, com sabor moderadamente alto de grãos tostados ou malte, com amargor de lúpulo médio a médio-alto. Elas tendem para o café amargo e seco. Hoje também já existem subestilos da Stout, são elas: American Stout, Imperial Stout, Sweet Stout, Oatmeal Stout, Tropical Stout, Foreign Extra Stout, Irish Extra Stout e Irish Stout.

Pessoas que não têm paladar e olfato tão treinados ou que bebem o líquido sagrado sem prestar muita atenção não vão perceber diferença entre os estilos. Mas basta um pouco de atenção para encontrar nuances entre os dois tipos de cerveja. Daí também a importância de mantê-las na temperatura adequada. Se estiverem demasiadamente geladas, fica difícil sentir o que elas têm de melhor a oferecer. Então aqui vai a dica: Porter e Stout devem ser servidas em torno de 8° a 12°C.

Bom, galerinha, hoje vou ficando por aqui. Na próxima coluna falaremos das especificações de cada uma dessas brejas de uma maneira rica e detalhada. Hoje foi mais uma visão geral das diferenças e semelhanças entre a Porter e a Stout.

Beijos e Boas Cervejas!

Débora Matos
Sommelière de Cervejas; Especialista em Análise Sensorial e Off-Flavours; 
Certificada pelo Instituto da Cerveja Brasil (ICB), Associação Brasileira de Sommelier (ABS) e Association de la Sommellerie Internationale (ASI – França)
Consultora Especialista do Programa 'Dicas da Saidera' na TV Aratu Online

2 comentários :

  1. Parabéns Débora, adorei o artigo e que bom que você começou logo pelas cervejas que mais amo, Porter e Stout.
    Por sinal eu acho que deveria ter um evento do tipo Stout e Porter Day, como fizeram com a IPA.

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  2. Olá Nairton!!! Quem bom que gostou do artigo... e super apoio a ideia do Stout&Porter Day!!! Você que é o senhor dos eventos cervejeiros de Salvador bem que podia colocar isso em prática heim?! Já estamos no aguardo. E fique ligado, já já tem mais artigo especificando os subestilos de Porters e Stouts. Abraços

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