Um Novo Caminho. E Sem Volta!

foto: testosterona.me

E lá se foi a semana. A sexta-feira chegou e já está acabando. O cervejeiro ansioso dá as últimas tecladas do dia no computador da empresa. Tudo o que ele quer agora é encontrar os amigos e beber uma cerveja gelada.

Mal chega ao seu bar favorito e o garçom já oferece a primeira garrafa. Trincando!! O líquido dourado escorre farto pelo copo. De tão gelado, nem forma espuma. E passa suave pela garganta do cervejeiro provocando uma imediata sensação de refrescância. Ele não resiste, pega o smartphone, tira uma foto com o copo na mão, manda no grupo dos amigos e...nada de aplausos!!

- Cerveja trincando? Como assim?

- Sem espuma? Tô fora!!

- Refrescância? Pode ser, mas não é a única sensação possível.

Há algo de novo no reino cervejeiro. E atende pelo nome de Cerveja Artesanal!

Surgidas a partir da possibilidade de se fazer cerveja caseira, com kits super práticos, as artesanais vêm ocupando um espaço cada vez maior na preferência dos cervejeiros. São consumidas em temperaturas específicas, harmonizam com pratos diversos e a espuma cremosa, que reforça os aromas e o sabor, é praticamente indispensável. Mais do que um modismo temporário, existem razões para acreditar que a cerveja artesanal veio pra ficar e representa uma tendência de mercado, um caminho sem volta.

A primeira razão é a qualidade do produto. Ao experimentar uma cerveja artesanal, quase sempre movido pela curiosidade, o cervejeiro logo percebe a diferença. As boas artesanais geralmente são mais densas, encorpadas e porque não, mais saborosas que as cervejas comuns. Além da refrescância, despertam sensações degustativas inéditas e empolgantes.

A variedade é outro fator de impulso. No mundo todo existem cerca de 120 estilos de cerveja e mais dezenas de sub-estilos, classificados conforme a receita e as tradições de cada país. No Brasil, o consumo em larga escala abrange apenas dois estilos: lager standart, produzidas com cereais não maltados, e lager premium, que são as linhas “puro malte”. É muita cerveja para experimentar. E o cervejeiro adora disso!!!

Por fim, não dá pra descartar o efeito “test drive”. Ou seja, quando experimentamos e nos acostumamos com uma coisa boa, dificilmente conseguiremos retroceder. Isso vale para o ar condicionado nos carros, para as roupas de marca e também para as bebidas. Especialmente as cervejas. Depois de habituar o paladar com as artesanais, o cervejeiro em alguns momentos se defronta com a necessidade eventual de beber as cervejas comerciais. É comum perceber que falta alguma (ou muita) coisa, e que aquele líquido estupidamente gelado já não satisfaz como antes.

Pronto! O mosquitinho da cerveja artesanal entrou em ação e conquistou mais um adepto.

Claro que existem aqueles que não se renderam à nova tendência. Mesmo podendo pagar mais, muitos consumidores ainda preferem as cervejas comerciais, atribuindo a esta preferência um toque de masculinidade e ausência de “frescura”. São divertidas as provocações sutis entre os grupos de cervejeiros no whatsapp e redes sociais, como aquela que difere o “bebedor raiz” e o “bebedor nutella”.

Mas sem radicalismos. Preferências a parte, o fato é que a cerveja artesanal chegou pra ficar, como opção de qualidade e sabor para o nosso líquido mais apreciado.

Agora sim, vários aplausos!!


Fábio Guerra
Cervejeiro e Sócio Proprietário da Empresa Planeta Cevada

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