Microcervejarias veem oportunidade após compra de Kirin pela Heineken

Silveira aponta cenário positivo para investimentos no setor de cervejarias artesanais ASSESSORIA FOCCO COMUNICAÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC


Niágara Braga 

Os microcervejeiros brasileiros não temem a maior concentração do mercado na mão de dois grupos após a compra da Brasil Kirin pela holandesa Heineken. A condição poderia ser reforçada já que a gigante Ambev detém mais de 70% do mercado nacional. O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Rodrigo Silveira, vislumbra, ao contrário, que a guerra entre as grandonas poderá abrir espaço e dar "fôlego" às pequenas. Silveira também aponta que o ambiente é propício a novos investimentos em produção, pois a perspectiva é de crescimento da venda dos rótulos artesanais frente à demanda mais estável das marcas de consumo de massa. Além disso, as microcervejarias ganharão um fermento novo, a partir de 2018, com a redução de 32% na tributação somente com a inclusão das fabricantes no Simples Nacional, ressalta o dirigente. O Rio Grande do Sul é o segundo produtor do setor, perdendo apenas para o reduto paulista. 

JC – Como a compra da Brasil Kirin pela Heineken afeta o setor? 

Rodrigo Silveira – Eu adoraria saber o que vai acontecer. Com base no que acontece no setor há alguns anos, acreditamos que a aquisição canalizará a atenção das grandes fabricantes para uma competição entre elas, o que dará fôlego para o nosso setor que sofre muito com a Ambev, que entrou na disputa com a gente praticando preços mais baixos. Às vezes, os valores são tão baixos que ficam abaixo do custo das artesanais, o que tem nos atrapalhado muito. Com a aquisição da Brasil Kirin pela Heineken, acredito que vai mudar um pouco o foco da Ambev. As duas vão entrar em uma briga de gigantes. Assim, poderemos caminhar com mais facilidade. 

JC – Há perspectiva de crescimento diante deste cenário? 

Silveira - Isso acontece ano a ano. O nosso crescimento é muito maior do que o das cervejas de massa. Crescemos cerca de dois dígitos, enquanto a indústria cervejeira acumula queda em torno de 5% no consumo. Por isso, as grandes redes de supermercados começam a notar as pequenas cervejarias e disponibilizam mais espaços. Vamos continuar crescendo e ainda tem muito espaço para ocupar. 

JC – As cervejas artesanais conquistaram as grandes redes de supermercado? 

Silveira – Quando você nota a presença de pequenas cervejarias em grandes redes, onde todos os produtos estão ali, é nítida uma vantagem, um crescimento exponencial do setor. São locais muito caros, onde o metro quadrado de gôndola é disputadíssimo. Você vê ali que a cada mês, a cada ano, o espaço de cervejas artesanais vem crescendo. Isso é muito positivo porque acabamos atingindo um público que ainda não conhece os produtos e nem tinha acesso, nunca tinha ouvido falar na gente. Para ter espaço em uma grande rede é porque é um produto muito desejado. Quando vemos esses varejos abrindo espaço, é sinal de que estamos no caminho certo e temos feito um bom trabalho. 

JC – Qual é o tamanho do mercado das microcervejarias no Brasil? 

Silveira - As informações que temos ainda apontam para um patamar próximo a 1%. Mas nos próximos anos vai ocorrer um incremento devido à aprovação do Simples Nacional para pequenas cervejarias que entra em vigor em 2018. Com isso, devemos ultrapassar o número de 500 fábricas ainda em 2017. Hoje são cerca de 420 pelo País. A nova condição tributária deve levar à abertura de novas fábricas, pois toda a cadeia será aquecida. Isso é importante porque em um ambiente de crescimento, mais gente debate e se conquista mais espaço e benefícios que são justos e necessários. 

JC – É um bom para momento para investir em microcervejarias? 

Silveira – O momento é favorável, mas não se monta uma pequena cervejaria da noite para o dia. Quem está pensando em investir, é bom começar a estudar e correr atrás de equipamentos, de bons profissionais, para não ter um dissabor mais a frente. As dificuldades continuam, com uma carga tributária altíssima, mas que tende a melhorar com o passar dos anos, assim como aconteceu em outros mercados do mundo. Trata-se de um setor muito recente, ainda em desenvolvimento. Está sendo um aprendizado geral para os empresários e para os políticos. Quem sair na frente e fizer um planejamento bem feito, tende a colher bons frutos no futuro. -


Fonte: JCRS UOL
Foto: Divulgação/JC

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