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O que Campos do Jordão tem a nos ensinar sobre o Beba Local e a Cerveja Artesanal





Muito bem galera, finalmente sento aqui em frente ao notebook para contar a vocês o que eu vi em meu recente passeio em um dos redutos da cerveja artesanal no Brasil, a cidade de Campos do Jordão-SP. E olha... podemos aprender muito e com coisas simples.

Quando o assunto é o crescimento e evolução da cerveja artesanal, estamos um pouco atrás do sul e sudeste do país e também atrás de alguns estados aqui mesmo do Nordeste. Vejo por aqui, muitas pessoas querendo aprender com iniciativas super elaboradas, enquanto nem demos ainda passos mais simples. Se prestarmos atenção em comportamentos e iniciativas mais básicas, para só depois partirmos para ideias mais complexas, nosso crescimento será muito mais rápido.

Em Campos do Jordão notei logo em minhas primeiras impressões, que a cena cervejeira de lá é claramente impulsionada pela Cervejaria Baden Baden, que por sua vez encontra respaldo e orgulho da população da cidade em ter uma das cervejarias mais especiais do país. 

E é mesmo especial. A gente tem essa mania de descredibilizar e (ou) não valorizar quem chegou primeiro, só por que hoje existem novas propostas. Maravilhados com as nossas descobertas e com o mundo rico que percebemos a cada dia, deixamos de valorizar quem veio primeiro e abriu caminho, permitindo que a gente chegasse a esse nível. 

A Baden Baden (que já foi uma cerveja artesanal e hoje pertence a grande indústria) é um pouco vítima disso. Ela surgiu em 1999, quando quatro amigos se reuniram para montar uma cervejaria, foram eles o José Vasconcelos, o Aldo Bergamasco, o Alberto Ferreira e o Marcelo Moss. Levou esse nome, por que o José Vasconcelos já possuía um restaurante/bar que se chama Baden Baden, mesmo nome de uma cidade um pouco mais ao sul da Alemanha. A cervejaria então, herdou o nome do bar do seu José, criado em 1985.

Bar/Restaurante Baden Baden, fundado em 1985

Mas em 2007 a Baden Baden foi adquirida pela Schincariol. Já em 2011 a própria "Schin" fundiu-se com a Kirin Holdings, criando a Brasil Kirin, que por sua vez (agora em 2017) foi comprada pela Heineken. Desde que se tornou grande indústria, começamos a encontrar as Badens em grandes redes de supermercados e ouvir por aí que a empresa passou a adotar técnicas de produção que a afastava da classificação da cerveja enquanto artesanal. Começamos a cair na armadilha de retirar os créditos de quem foi importante. É importante. Chegou primeiro que a gente, ainda é uma boa cerveja e merece receber boas referências. O bar do seu José continua sendo dele, mantendo sua independência, seu nome de origem, Restaurante Baden Baden. E continua parceiro da cervejaria.

Voltando ao comportamento da população, o que me chamou atenção é o respeito que eles têm pelo chopp artesanal. Ainda no aeroporto de Guarulhos vi uma linda trave de chopp, com chopp artesanal! Por essa eu não esperava. Gostaria que a turma do nosso aeroporto tivesse essa preocupação. Ainda mais agora que uma das melhores empresas do mundo em gestão de portos e aeroportos vai assumir o comando, não custa nada pensar nessa cereja (cerveja) pro bolo. Aproveitei Guarulhos e tomei imediatamente o Chopp Pilsen da Cervejaria Blondine, tudo o que eu precisava para aliviar as tensões do voo e dar uma relaxada. Ps.: Eu odeio avião.

Enfim... Era uma prévia do que aquela cultura cervejeira mais adiantada me mostraria; que é possível viabilizar a presença de cervejas de qualidade em todos os lugares. De Guarulhos pegamos um ônibus para São José dos Campos e de lá, outro para Campos do Jordão. 

Ao chegar a cidade percebi o quanto eles valorizam seus atributos turísticos. Da natureza à sua história, do frio às fábricas de chocolates, dos hotéis temáticos às cervejarias, da vila aos bosques. Uma aula de como rentabilizar suas riquezas. E muito por essa consciência de pertencionismo, emponderamento e conservação de seus valores é que fui percebendo as cervejas Baden Baden disponíveis para compra em todos os lugares. Desde o local para o turista até os pontos mais típicos de consumo por parte da sua própria população. Mais uma estratégia a ser adotada, valorizar o que é nosso. Incentivar as cervejas locais, para que elas se desenvolvam e ganhem nosso mercado. Não precisa ser radical, mas sempre que puder, beba local.

Mas além de encontrar a Baden em todos os cantos, também encontrei chopes como Germânia, Eco Chopp e Cerveja Campos do Jordão (todos da região), desde simples barraquinhas à pastelarias, passando por restaurantes. E o melhor... Preços super acessíveis, bebi quase todos os chopes de 500 ml por R$ 9,90, por exemplo. Vale muito a pena a gente buscar valores mais acessíveis, pode não ser algo a se viabilizar agora, mas podemos buscar isso no momento em que o mercado se mostrar viável.

Chopp artesanal Eco Bier na barraquinha a caminho do teleférico

Depois de ter conhecido o Bar da Baden Baden (um dos lugares mais gostosos que estive, com comida farta e cervejas deliciosas), fui conhecer a Fábrica. Já esse passeio me frustrou um pouco... O preço cobrado pelo tour na Fábrica da Baden Baden é ótimo (R$ 30,00) e o custo-benefício valeu a pena. Mas se você acha que vai conhecer a fábrica, esqueça. O Tour se resume a 4 salas, uma explanação acelerada e um tanto quanto superficial. Mas no próximo texto vou detalhar o passo a passo da visitação à Fábrica Baden Baden para a gente discutir. Como diria Jack: "Vamos por partes".

Sala de Brassagem Fábrica Baden Baden

Em seguida parti para o ponto alto da viagem, visitei a fazenda Frutopia. Fazenda do Rodrigo Veraldi, responsável por descobrir após quase 10 anos de pesquisas, uma espécie de lúpulo que resiste ao clima, ao solo e as adversidades brasileiras, o Lúpulo da Mantiqueira. Rodrigo me apresentou toda a fazenda e me contou essa história surpreendente, passeamos pela plantação e gravamos uma entrevista. Mas esse papo também vai ter que ficar para os próximos dias, foi uma reportagem tão rica que merece uma coluna só para ela. Vale lembrar que o Lúpulo da Mantiqueira é o lúpulo utilizado na Cerveja Märzen da Baden Baden, primeira cerveja 100% lúpulo nacional a ser comercializada pelo Brasil. 

Fazenda Frutopia e Rodrigo Veraldi

Depois dessa reportagem, recebemos uma dica do nosso leitor Diogo Teles (do insta @dteles_ssa), para conhecermos o Caras de Malte, corri para conferir. O Caras de Malte é mais um lugar fantástico! Sonho com o dia em que a gente vá ter um equipamento como esse aqui na Bahia. Um Brew Pub que fabrica 6 estilos de cerveja artesanal e tem um ambiente agradabilíssimo. Você tem a opção de pedir todos os chopes em menores quantidade, para experimentar e decidir qual deles vai querer em seguida. Serve numa bandeja ilustrada, organizando os chopes em uma rampa de degustação e explicando cada um. Lugar mágico, com lojinha, fábrica aberta para visitação, música, lareira, ambiente interno e externo, enfim... Vale a pena conhecer e obrigado pela dica Diogo!

Mirante Caras de Malte. Eu, os chopes da casa e Bella, minha esposa

Isso tudo foi vivido em 3 dias, lógico que tem muito mais a contar para vocês. Como disse, os próximos artigos vão detalhar essa Trip e finalizaremos analisando a Cerveja Märzen, que leva esse nome por que é produzida em Março, para ser consumida em Outubro, mês em que estamos. E a minha viagem foi chegando ao fim, mas antes de ir embora e encerrar essa aventura, retornei ao bar do seu José, comprei minha caneca da Baden e tomei um Chopp.

Despedida do Bar/Restaurante Baden Baden

Depois já era hora de encarar a realidade e enfrentar a parte mais chata, eu odeio avião... 

Até o Próximo Gole!

Marcelo Vasconcelos
Editor, Colunista e Apresentador do Portal da Cerveja
Certificado pela Science Of Beer em Análise Sensorial, Gestão de Leveduras e On/Off Flavours
Consultor Especialista do Programa Estação da Cerveja da Rádio Metrópole 101.3 FM
Consultor Especialista do Programa Dicas da Saideira, Aratu On Line - TV Aratu / SBT 
Insta: @portaldacervejaoficial e @marceloportaldacerveja 
Contatos: 71 9.9933-2309 (Whatsapp) / marcelo@portaldacerveja.com











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