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Aprendendo a Beber - Vol. I



Já sei, você que conhece muito sobre cervejas artesanais deve ter pensado: quem esse colunista pensa que é pra me ensinar a beber?

O pior é que você está certo! Talvez, no seu lugar, eu pensasse a mesma coisa. Mas se há pouco tempo, numa loja de conveniência, eu ouvi um confrade chamar a Brahma Extra de cerveja artesanal, e se, dias depois num restaurante famoso, eu perguntei ao garçom quais as cervejas puro malte ele tinha, e ele respondeu (acredite!!) que tinha Skol e Antarctica Original, é porque ainda tem gente precisando de umas dicas.

E não faltam histórias curiosas! Uma vez eu estava expondo minhas brejas numa feira de rua em Stela Maris quando um cliente se aproximou e disse:

- Eu queria uma indicação de cerveja. Mas já vou avisando que eu gosto de cerveja BEM AMARGA, tipo a Heineken.

Eu estava com um chopp Funk Ipa, da Invicta, nas torneiras. É uma Session Ipa clara, levinha, com 4,7% de teor alcoólico e 45 de IBU (amargor), bastante aromática e saborosa. Eu coloquei um dedo de chopp e ofereci ao cliente para ele experimentar. O cidadão provou, fez uma careta engraçada e disse:

- Amigo, perto dessa cerveja aqui a Heineken é leite condensado! Não tem uma MENOS AMARGA não?

Imagina se eu tivesse oferecido uma Imperial Ipa da Roleta Russa ou a 1000 IBU? Pois bem, aqui vai um resumão bem BÊ-A-BÁSICO sobre cervejas artesanais e sobre como começar a apreciá-las, inspirado nas perguntas mais freqüentes que escuto nas feiras. Em uma delas, no Jardim dos Namorados, uma cliente bonita me perguntou:


- Qual a diferença entre cerveja ESPECIAL, cerveja GOURMET e cerveja ARTESANAL?

Na época eu também estava engatinhando no assunto, portanto dei uma resposta bem espontânea, mas que não considero errada. Apenas uma forma de organizar as idéias.

Pedi a ela que imaginasse três grandes grupos. O maior seria o grupo das cervejas especiais, que na minha explicação simplista englobaria todas as cervejas diferentes daquelas pilsens produzidas em larga escala pelas grandes cervejarias, com cereias não-maltados nos ingredientes. Dentro deste grupo maior das especiais, estaria o grupo das cervejas gourmet, que são as brejas desenvolvidas para harmonizar com pratos específicos, como a Baden Golden ou a Red Ale, essa última combinando muito bem com carnes de caça de intenso sabor.

Também contidas no grupo das cervejas especiais estariam as artesanais que são aquelas produzidas sem qualquer aceleração mecânica do processo natural de produção. Uma interseção possível entre o grupo das artesanais e das gourmets seriam as cervejas produzidas de modo artesanal, mas que harmonizam com determinados pratos, como por exemplo, as TOKAI, desenvolvidas segundo a cervejaria Campo Bom para alcançar “a mais perfeita harmonização com pratos da culinária japonesa”. 


Outra pergunta muito comum nas feiras é: “quero experimentar as cervejas artesanais. Por onde devo começar?


Um bom caminho é o clássico roteiro em que você começa pela cerveja de trigo, que é um estilo de sabor bem diferente das comerciais, mas que não agride o paladar de quem está começando a experimentar. Depois você pode passar para uma Witbier, com malte de trigo, frutas cítricas e coentro na receita, ou uma Saison que mistura maltes diversos e notas frutadas. Em seguida, experimente uma American Pale Ale (APA) e veja como seu paladar reage à presença do amargor e aroma dos lúpulos americanos. Por fim, caia pra dentro de uma boa IPA – India Pale Ale e, se gostar, vá gradativamente subindo o nível de amargor até chegar na Imperial IPA, estilo que, além do alto amargor, apresenta também uma graduação alcoólica elevada, e essa combinação pode proporcionar aos apreciadores uma explosão de sabores muito interessante.

A partir daí, ou até mesmo no caminho, fique à vontade para diversificar os estilos, provando as cervejas escuras como as Stouts, ou de sabor adocicado, com predominância do malte como as prestigiadas belgas e as cervejas trapistas, cujas receitas vêm dos antigos mosteiros da idade média.
Certamente, já deu pra notar o quão vasto é este universo das cervejas artesanais. Nas próximas colunas, vamos comentar sobre as harmonizações e também o significado das siglas presentes nos rótulos das cervejas.

Até lá!!!

Fábio Guerra
Cervejeiro e Sócio Proprietário da Empresa Planeta Cevada
Comentarista do Programa Estação da Cerveja da Rádio Metrópole 101,3 FM
Colunista do Portal da Cerveja

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