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As Alquimistas Estão Chegando - Confira a Estreia da Colunista Graciene Ávila no Portal da Cerveja


“As Alquimistas estão chegando” *

O protagonismo das mulheres na história e na cultura cervejeira certamente é a inspiração para que muitas de nós estejamos no contexto atual provando que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive fazendo cerveja. Assim como o mercado de cerveja artesanal está em expansão a participação e aumento significativo do envolvimento das mulheres no consumo, produção e profissionalização do produto também tem se ampliado.

Nós mulheres estamos progressivamente ganhando espaço no mercado cervejeiro, que ainda é um mercado muito dominado por homens e permeado por preconceitos. Historicamente as mulheres dominaram esta arte, lá por volta do ano 4000 a.C. na Babilônia e na Suméria, as mulheres cervejeiras tinham grande prestígio e com poderes quase divinos. Ao longo da História e em diferentes culturas (egípcia, vikings, incas e em diferentes países da Europa) a cerveja era considerada mágica ou divina e esta alquimia era dominada pelas mulheres. 

Registros do século XIII, de uma pequena cidade inglesa, mostram que somente 8% dos cervejeiros locais eram homens, um documento de 1086, o Norman Domesday, registra, na Inglaterra, a existência de 43 tabernas cervejeiras comandadas por mulheres chamadas alewives e que no início do século XIV já havia uma para cada 12 habitantes. Em Aberdeen, na Escócia, uma lista de cervejeiros locais mostra que todos os 159 existentes eram mulheres e, na mesma época, eram 300 em Edimburgo.

Somente quando se inicia a produção em grande escala, no final do século XVIII, e quando a atividade passou a representar a independência financeira das mulheres é que o domínio feminino na produção cervejeira diminuiu. Durante a Primeira Guerra as mulheres reassumiram seu importante papel na cultura cervejeira, mas com o fim da guerra e o retorno dos soldados novamente sofreram com o preconceito e com as perseguições por estarem “tomando” os postos de trabalho masculinos. No final do século XX, se inicia o processo de retomada como profissionais cervejeiras, nos estudos de mercado e no consumo da bebida.
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Em realidade, atualmente estamos retomando nosso espaço e mostrando que mulher entende sim de cerveja. Infelizmente é comum ouvirmos frases do tipo “mulher não gosta de cerveja”, “mulher só gosta de cerveja ‘fraca’, de cerveja doce, de cerveja com fruta”, “mulher não entende de cerveja”, entre outras barbaridades que revelam apenas preconceito e machismo. Bem como, algumas cervejarias que continuam investindo em publicidade machista que objetificam, que banalizam a imagem da mulher, ou que rotulam a cerveja “para as mulheres”, como se não pudéssemos gostar, consumir, criar e produzir qualquer cerveja.
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Certamente, estamos avançando, mas ainda hoje, trabalhar com cerveja e ser mulher carrega um baita estigma, porque a partir do momento que você fala você já é objetificada, a partir do momento que fala que trabalha com cerveja muitas vezes surgem comentários como “ah!! Devem ter muitos homens disputando para serem teus namorados” ou ver aquele olhar desconfiado ao experimentarem a sua cerveja, subentendendo que você não pode ter produzido uma cerveja tão boa. Ser uma mulher no mundo cervejeiro ainda significa ter sempre que provar que você sabe, ter sempre que falar que você sabe do que está falando, ter que estar sempre a frente, ter que se provar o tempo todo. 

* Apenas uma alusão a música de Jorge Ben, não quer dizer que eu seja uma fã e nem proponho aprofundar sobre o significado da letra para o compositor. Contudo, acredito que acena para uma mudança, para um novo momento e a participação das mulheres nessa alquimia repleta de sensibilidade poética e notas musicais que embalam a nobre arte que é a cerveja.

Graciene Ávila
E-mail: gracieneavila@gmail.com
Facebook: @cervejarosaroja

Graciene é Historiadora, Sommelier de Cerveja e produtora da Cerveja Artesanal Feminista Rosa Roja de Salvador, Bahia. Estuda sobre cerveja há aproximadamente 04 anos quando iniciou sua produção caseira, comprando panelas, conexões e equipamentos em Salvador e aprendendo a montar aos poucos o seu próprio equipamento. 

Nesse período fez cursos específicos sobre Malte, Água, Lúpulo, Beersmith, Envase e embarrilamento, Fermentação (Yeast Freaks- Science of Beer) e se formou Sommelier de Cerveja (Science of Beer) em 2016. E então a cerveja se tornou sua paixão, a Cerveja Artesanal Feminista Rosa Roja, homenageia uma mulher em cada estilo que produz.

A partir disso foi convidada a integrar o time de colunistas do Portal da Cerveja e dividir esse espaço democrático da cerveja baiana conosco. 

Seja bem vinda!

Redação Portal da Cerveja

A opinião dos colunistas deste site não condiz necessariamente com a opinião do portaldacerveja.com. Graciene Ávila tem liberdade para explanar seus pensamentos sem nenhum tipo de filtro ou censura, de forma sólida e autêntica. Sendo assim, o texto é de inteira responsabilidade do seu autor.

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3 comentários :

  1. Muito legal! Parabéns pelo texto e resgate da história! Muito bem escrito e, sim! Lugar de mulher é onde ela quiser!

    Bob Max

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  2. Grande historiadora!!! Belíssimo texto. Sempre versátil e arrasando na produção da cerveja. Só aplausos.

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